Além das hard skills: o que também faz parte da preparação para uma carreira em tecnologia

Além das hard skills: o que também faz parte da preparação para uma carreira em tecnologia

Data de Publicação: 01 de setembro de 2026

Quando pensamos em começar uma carreira em tecnologia, é natural que linguagens de programação, ferramentas e conhecimentos técnicos apareçam entre as primeiras preocupações.

Dominar esses conhecimentos é importante. Mas a preparação para o mercado não termina neles.

Comunicação, trabalho em equipe, construção de relacionamentos profissionais, resolução de problemas, adaptação e capacidade de continuar aprendendo também fazem parte do desenvolvimento de quem pretende atuar na área.

E muitos desses aprendizados começam antes mesmo da primeira oportunidade profissional.

Foi justamente isso que Reynerio Hidalgo, aluno da turma de Inteligência Artificial do Entra21 na FURB, começou a perceber ao longo de sua formação.

Cubano e interessado por tecnologia desde a adolescência, ele chegou a Blumenau no início de 2026 com um objetivo bastante claro: entrar no mercado de tecnologia.

O caminho até aqui envolveu mudança de cidade, adaptação a um novo idioma, um prompt no Gemini, uma formação em Inteligência Artificial e, principalmente, muitas experiências que mostraram que construir uma carreira envolve muito mais do que conhecimento técnico.

Conhecimento técnico é a base, mas não atua sozinho

As hard skills são as competências técnicas necessárias para desempenhar determinada atividade. Na tecnologia, elas podem envolver programação, bancos de dados, Inteligência Artificial, desenvolvimento web, infraestrutura e diferentes ferramentas, dependendo da área de atuação.

Mas saber executar uma tarefa tecnicamente não elimina a necessidade de explicar uma ideia, compreender um problema, receber feedback, trabalhar com outras pessoas ou encontrar uma solução quando algo não acontece como esperado.

É nesse ponto que as chamadas soft skills passam a dividir espaço com o conhecimento técnico.

Comunicação, colaboração, adaptabilidade, organização e resolução de problemas são exemplos de competências que aparecem no cotidiano profissional e podem começar a ser desenvolvidas ainda durante a formação.

Para Reynerio, essa percepção foi construída na prática.

Quando chegou à turma do Entra21, um dos desafios que mais o preocupavam não estava relacionado à Inteligência Artificial.

Era conseguir se comunicar.

“No começo, achei que seria muito difícil me fazer entender e expor minhas ideias.”

Por ser cubano e ainda estar desenvolvendo seu português, ele conta que chegou à sala com essa insegurança. Aos poucos, porém, a receptividade dos colegas fez diferença.

A turma reunia pessoas com diferentes backgrounds e, segundo ele, a convivência ajudou a tornar a comunicação cada vez mais natural.

“Para a minha surpresa, o meu ‘portunhol’ começou a fazer sentido para as pessoas; com um pouco de esforço consegui expressar minhas ideias.”

A turma reunia pessoas com diferentes backgrounds e, segundo ele, a convivência também abriu espaço para debates, troca de opiniões e diferentes formas de pensar.

Ao olhar para os meses de formação, ele percebe mudanças que ultrapassam o conhecimento técnico:

“Aprendi a tolerar, a trabalhar em equipe, a ser resiliente e a não presumir que todo mundo sabe de tudo.”

Essa experiência mostra que soft skills também são desenvolvidas na prática: ao trabalhar com alguém que pensa diferente, apresentar uma opinião, receber uma crítica, adaptar a comunicação ou buscar uma solução em conjunto.

Em tecnologia, onde projetos frequentemente envolvem diferentes profissionais, essas competências caminham lado a lado com o conhecimento técnico.

Networking começa antes do primeiro emprego

Outro aprendizado destacado por Reynerio é o networking.

Quando se fala em networking, é comum associar o termo à busca por emprego ou à quantidade de conexões acumuladas no LinkedIn. Mas construir uma rede profissional vai além disso. Colegas de turma, professores, profissionais conhecidos em eventos, visitas técnicas e outras atividades podem fazer parte dessa rede desde o período de formação.

Networking também envolve trocar experiências, compartilhar conhecimentos, conhecer outras trajetórias e manter relações profissionais ao longo do tempo.

Essa percepção aparece com força quando Reynerio fala sobre o que levará do Entra21.

“O curso me deu muitas oportunidades de conhecer pessoas incríveis, entender como funciona o universo da tecnologia muito além da parte técnica e descobrir quais características são necessárias para ser um bom profissional.”

Para quem está começando, essa rede pode contribuir não apenas para conhecer oportunidades, mas também para entender melhor o mercado, descobrir novas áreas de atuação, trocar experiências e continuar aprendendo.

Visão de produto: entender o “porquê”, e não apenas o “como”

Outro ponto mencionado pelo aluno ao falar sobre sua formação é a visão de produto.

Aprender uma tecnologia ajuda a entender como determinadas soluções podem ser construídas. Desenvolver visão de produto amplia esse olhar para compreender por que aquela solução está sendo desenvolvida, para quem ela existe e qual problema pretende resolver.

No ambiente profissional, tecnologia dificilmente existe de maneira isolada. Uma aplicação, um sistema ou uma solução de Inteligência Artificial normalmente surge para responder a alguma necessidade.

Por isso, além de perguntar “como posso desenvolver isso?”, começar a fazer perguntas como “qual problema estamos tentando resolver?”, “quem utilizará essa solução?” e “qual resultado queremos gerar?” ajuda a ampliar a compreensão sobre um projeto.

É também uma mudança importante para quem está saindo da posição de estudante e começando a enxergar a tecnologia sob a perspectiva do mercado.

E foi justamente essa ampliação de visão que Reynerio destacou ao falar sobre sua experiência no programa: entender o universo da tecnologia para além da parte técnica.

Mas onde essa história começou?

Antes de falar em networking, visão de produto ou soft skills, Reynerio precisava encontrar uma porta de entrada.

Em janeiro de 2026, ele havia acabado de chegar a Blumenau depois de morar durante três anos no estado de São Paulo. A escolha da cidade estava relacionada justamente ao seu objetivo profissional: antes da mudança, pesquisou quais cidades se destacavam na área de tecnologia. 

O interesse pela área vinha de muito antes. Ele lembra que seu primeiro acesso à internet aconteceu aos 15 anos, ainda em Cuba, utilizando o modem de um Motorola V3 conectado a um antigo Pentium III.

Aos 30 anos, aquele interesse precisava se transformar em profissão. 

“Minha ideia era básica: entrar a todo custo no mercado de tecnologia.”

Foi durante essa busca que uma ferramenta bastante familiar para quem acompanha as transformações atuais da tecnologia entrou na história. Reynerio utilizou o Gemini para pesquisar possibilidades de formação e encontrou o Entra21.

Segundo ele, bastaram “um bom prompt” e alguns minutos de pesquisa.

Faltava pouco tempo para o encerramento das inscrições. Ele participou do processo seletivo, aguardou o resultado e recebeu a notícia de que havia sido aprovado.

Curiosamente, a Inteligência Artificial utilizada para encontrar o programa acabou levando-o justamente à turma de Inteligência Artificial.

Resiliência também faz parte da busca pela primeira oportunidade

Agora, meses depois, o objetivo que motivou a mudança para Blumenau continua presente.

Com a formação se aproximando da etapa final, Reynerio está em busca da primeira oportunidade profissional na área de tecnologia.

E essa etapa traz um tipo diferente de aprendizado.

Nem todo currículo enviado recebe retorno. Nem todo processo seletivo termina com uma contratação. Para quem está começando, lidar com essas respostas também pode exigir persistência e capacidade de continuar se desenvolvendo.

É nesse momento que a resiliência, uma das soft skills citadas pelo próprio aluno, deixa de ser apenas um conceito e aparece na prática.

A maneira como ele conta que procura lidar com as negativas dos processos seletivos mostra isso:

“Cada dia que envio um currículo e recebo como resposta que vão seguir com outro candidato, não encaro como uma derrota, mas sim como a oportunidade que outra pessoa está tendo. A nossa vai chegar a qualquer momento.”

Para quem também está buscando a primeira oportunidade, esse período pode ser aproveitado para continuar estudando, desenvolver projetos, revisar currículo e portfólio, observar as competências solicitadas nas vagas, participar de processos seletivos e ampliar o contato com profissionais e empresas da área.

Não existe uma fórmula que determine quando a primeira contratação acontecerá. Mas continuar aprendendo e se preparando enquanto ela não chega também faz parte da construção de uma carreira.

Então, o que desenvolver além das hard skills?

Cada área e função dentro da tecnologia exige conhecimentos diferentes, e as competências valorizadas também podem variar de acordo com a empresa e com o contexto profissional.

Ainda assim, a experiência de Reynerio ajuda a observar alguns aspectos que podem ser trabalhados durante a formação:

Comunicação: organizar e apresentar ideias de maneira compreensível;

Trabalho em equipe: colaborar, ouvir e construir soluções com outras pessoas;

Networking: criar relações profissionais baseadas em troca e conexão;

Adaptabilidade: lidar com mudanças, novas ferramentas e diferentes contextos;

Resolução de problemas: investigar situações e buscar alternativas;

Visão de produto: compreender o problema, o usuário e o propósito por trás de uma solução;

Resiliência: continuar se desenvolvendo diante dos desafios encontrados pelo caminho.

Essas competências não substituem as habilidades técnicas. Elas as complementam. 

Uma carreira em tecnologia é construída por mais do que tecnologia

Quando chegou a Blumenau, Reynerio procurava uma formação que pudesse ajudá-lo a entrar no mercado.

Encontrou o Entra21 por meio de um prompt no Gemini e começou a estudar Inteligência Artificial. Mas, ao olhar para o que aconteceu desde então, sua própria definição da experiência vai além do conteúdo aprendido em sala:

“Não se trata apenas de hard skills; trata-se de networking, visão de produto e, acima de tudo, de aprender a ser um bom profissional.”

A frase resume algo importante para quem também está começando.

Aprender tecnologia continua sendo fundamental. Mas construir uma carreira também envolve aprender a trabalhar com pessoas, comunicar o que se sabe, reconhecer o que ainda precisa ser aprendido, compreender problemas e continuar avançando mesmo quando os resultados não aparecem imediatamente.

Para Reynerio, essa construção aconteceu enquanto ele também aprendia a se comunicar em outro idioma, conhecia uma nova cidade, criava relações com colegas e professores e se preparava tecnicamente para o mercado.

Agora, o próximo desafio é transformar toda essa preparação na oportunidade que motivou essa história desde o começo: o primeiro emprego na área de tecnologia.


Conteúdo construído em colaboração com Reynerio Hidalgo, aluno da turma de Inteligência Artificial, e a equipe do Programa Entra21.